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  • 2 min de leitura

E afinal… quanto tempo dura a gestação de uma mãe? E quem cuida dela?

Já parou para pensar que, em muitos casos, a gestação de uma mão começa antes mesmo do “beta positivo”? As vezes começa e termina sem um “beta positivo”E de que mãe estamos falando? Da que adota, da que planejou gestar, da que não planejou, da que atravessa um luto ainda durante a gestação… São muitas as formas de se tornar-se mãe — e será que estamos olhando para isso como deveríamos?


Mães precisam ser cuidadas para parir, mas também para nascerem saudáveis.

Uma meta-análise recente da OMS, publicada na The Lancet, revelou que 45% das gestantes deixam de expressar dúvidas ou preocupações durante o pré-natal, seja em casa ou nos serviços de saúde. E esse é um dado que importa — e muito.


A forma como percebemos, sentimos e reagimos a experiências intensas está profundamente ligada às nossas memórias: desde o reconhecimento do que nos é familiar até os traumas que carregamos. A mente também funciona por associação. E, na vivência de gestar, surgem inúmeras novas associações, emoções e sentimentos que precisam de espaço para existir e serem elaborados.

Foto: Bruna Primo
Foto: Bruna Primo

Isso faz parte da construção contínua da nossa subjetividade. Reconhecer-se mãe nasce deste lugar, dá trabalho e exige cuidado.

Por isso, existem pilares fundamentais que vão além do acompanhamento dos parâmetros vitais no pré-natal:

• Ser escutada e levada a sério;

• Ter vínculo e confiança com quem cuida;

• Receber suporte emocional contínuo;

• Ter um cuidado individualizado;

• Sentir-se amparada por uma rede (profissional e afetiva) que compartilhe responsabilidades


“Sentir-se cuidada” na gestação é sim algo mensurável e está profundamente ligado às relações que se constroem nesse processo.

E precisamos falar sobre isso.Porque não existe saúde sem saúde materna e infantil — e os impactos da gestação e do parto não terminam no nascimento. Eles seguem, junto com o bebê que chega… e com a mãe que também está nascendo. 💛

A verdade é que, quando falamos de parto, estamos nos referindo a um ambiente infinitamente menos controlado do que o de uma competição ou de um jogo. E justamente por isso surge uma pergunta fundamental: será que, exatamente por essa imprevisibilidade, o preparo da mente — com métodos e condutas coerentes, baseados em evidências e iniciados ainda no pré-natal — não se torna ainda mais importante?

É nesse ponto que a Neurociência e a Psicologia do Esporte se conectam de forma potente com a Obstetrícia. Evidências da neurociência contemporânea mostram que diversos recursos e métodos terapêuticos, como a hipnose, o mindfulness e os treinos de visualização mental, têm grande impacto tanto em práticas de alta performance física quanto em processos terapêuticos em saúde. O que os estudos demonstram — e o que também observamos na prática clínica — é que pensamentos influenciam diretamente a realidade vivida. Aquilo que pensamos afeta a maneira como nos sentimos, e a forma como nos sentimos influencia diretamente nossos comportamentos.

Foto: Jeh Alves
Foto: Jeh Alves

Encontrar meios de encarar o parto com confiança, determinação (sem determinismo) e engajamento afetivo, físico e emocional é algo que se constrói ao longo do tempo, especialmente no tecer das relações com os profissionais de saúde e com a rede de apoio. Assim como no esporte, dois métodos amplamente utilizados há anos pela Psicologia do Esporte e que hoje ganham cada vez mais espaço na Obstetrícia são o mindfulness e os treinos mentais de visualização positiva.

O mindfulness favorece a presença, a consciência emocional e o manejo da ansiedade, do medo e da dor. Já a visualização consiste na criação de roteiros mentais positivos que preparam para desafios e podem melhorar o desempenho — inclusive no processo de parto.

Independentemente de qual tipo de parto ocorrer ou de como ele se dará, o que realmente importa é a saúde em seu sentido mais amplo: o bem-estar físico, emocional e social, e o significado que isso assume para cada pessoa e cada família. Trata-se de um tema complexo, que exige estudo constante e análise cuidadosa do que é coerente e compatível com cada caso na prática clínica. Ainda assim, quisemos trazer aqui essa breve — e necessária — reflexão.

O sono é um aprendizado e não bastasse tamanho aprendizado podemos dizer que ele é uma das bases mais importantes para o desenvolvimento saudável do bebê e da criança. Bem como nossa única maneira de nos regenerarmos ao longo da vida.

Nós, adultos, possuímos um ciclo de sono estabelecido, mas um recém-nascido não nasce com ciclo circadiano constituído. O ciclo circadiano é o “relógio biológico” do corpo que regula os períodos de sono e vigília em um ritmo de cerca de 24 horas, influenciado principalmente pela luz e pela escuridão; ele também ajuda o organismo a perceber mudanças naturais, como as estações do ano, ajustando funções internas.I

Mas o que isso significa? Basicamente, dormir e se regular entre noite e dia é um aprendizado para os bebês.

Nos primeiros meses de vida, o bebê ainda está construindo sua capacidade de diferenciar dia e noite. Essa maturação acontece gradualmente, conforme o sistema neurológico e endócrino se desenvolvem e conforme o ambiente e as rotinas ajudam a organizar esse ritmo interno. Para se ter uma ideia, até os dois meses os bebês não produzem nem melatonina!

Ao longo do tempo, o bebê aprende a reconhecer padrões, como luz, barulho, temperatura e rotina familiar, que o ajudam a estabelecer horários mais regulares de sono. Nesse processo, o papel dos cuidadores é fundamental. Entender a melhor forma de adaptar o ambiente, rituais previsíveis, comportamento e organização dos próprios responsáveis, contar com alguns apetrechos e saber usá-los associados a técnicas de cuidado, contribui para que o bebê se sinta seguro, acolhido e preparado para descansar.

Além disso, informação de qualidade e suporte adequado são poderosos aliados. Conhecer como o sono infantil funciona, o que é típico em cada fase e quais estratégias realmente têm embasamento científico ajuda a reduzir inseguranças, expectativas irreais e intervenções que podem atrapalhar mais do que ajudar. Cuidar do sono do bebê é, portanto, mais do que buscar noites tranquilas: é apoiar seu desenvolvimento, sua saúde emocional e seu crescimento.

Com paciência, conhecimento e apoio, esse processo se torna mais leve, mais seguro e mais harmonioso para todos.

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Isadora Malta | Doula, Consultora de Aleitamento e Educadora Somática

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